terça-feira, 7 de junho de 2011

Pernambuco precisa de Dominguinhos


Por Antonio Moraes

Um dos maiores nomes do forró brasileiro, o ritmo mais característico do São João no Nordeste, o cantor, compositor e instrumentista pernambucano José Domingos de Morais, o Dominguinhos, ficará de fora da programação junina no seu estado natal. Um dos grandes símbolos da música regional só se apresentará no São João deste ano em Arcoverde, no sertão pernambucano.

Vale lembrar que este ano o cantor completa 70 anos de vida e 50 de carreira musical. Por estas comemorações, Dominguinhos recebeu homenagens da Rede Globo de Televisão, do Governo de São Paulo e da Capital Federal.

Dominguinhos não precisa de Pernambuco para ser reconhecido como um dos mais autênticos representantes de seu gênero musical no cenário contemporâneo brasileiro. Contudo, Pernambuco precisa de Dominguinhos.

Pernambuco precisa também valorizar sua cultura popular que tem em Dominguinhos e outros nomes da música seus representantes, com talento e história. Não sou contra a participação de artistas de outros estados no nosso São João, mas acredito que a grande diversidade de atrações vai acabar prejudicando o que há de mais característico nas festas juninas: a tradição e nossa música. O que será que nomes como Fábio Júnior e Leonardo têm a ver com o São João de Pernambuco?

O forrozeiro será a grande estrela que abrirá o São João de Campina Grande, fará também apresentações nos Estados da Bahia e Sergipe, porém no seu Estado natal apenas uma única apresentação marcará sua presença nos festejos juninos.

Espero também que picuinhas da política partidária não impeçam que Pernambuco deixe de valorizar um de seus artistas mais renomados. Será que a última campanha presidencial, em que Dominguinhos estrelou um clipe de José Serra tem algo a ver com este “esquecimento” na programação do São João promovida pelo Estado de Pernambuco, Prefeitura do Recife e diversas cidades do interior?

Sinceramente, torço que não.

Ainda dá tempo de corrigir esta lacuna e permitir que pernambucanos e turistas tenham mais uma oportunidade de ver o herdeiro e um dos maiores representantes da música de Luiz Gonzaga nos palcos de sua terra, no ano em que completa setenta anos de vida. Sem dúvida seria uma demonstração de respeito a nossa música e nossa cultura.

PS: Antonio Moraes é líder da oposição na Assembleia Legislativa

Fonte: Blog do Jamildo e Blog Manunatureza

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Saudade...


Saudade é coisa danada
É uma moleca malina
Meche com todo vivente
É buliçosa e traquina
Só tá perto é o castigo
Pra aquietar essa menina.

Adriane Freire.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

VIII ENCONTRO NORDESTINO DE XAXADO




VIII ENCONTRO NORDESTINO DE XAXADO
Dias 02, 03, 04 e 05 de junho/2011
Serra Talhada – PE – Brasil

PROGRAMAÇÃO

VILA FERROVIÁRIA

02 de junho de 2011 (quinta-feira)

19h00min
Desfile dos Grupos de Xaxado, saindo da Praça Lampião e terminando na Vila Ferroviária.

20h00min
Grupo de Danças Cangaceiros de Vila Bela / Ponto de Cultura – Serra Talhada/PE.
Grupo de Artes Fênix – João Pessoa/PB.
Grupo Dinâmico Cultural – João Pessoa/PB.
Grupo Xaxado da Serra – Luis Gomes/RN.
Grupo de Xaxado Pisada de Lampião – Poço Redondo/SE.
Trio Tição de Fogo.

03 de junho de 2011 (sexta feira)

20h00min
Grupo de Xaxado Luis Pedro – Triunfo/PE.
Grupo Folhas Outonais – Serra Talhada/PE.
Grupo Renascer do SESC – João Pessoa/PB.
Grupo de Danças Renascer do Sertão / Ponto de Cultura – Triunfo/PE.
Grupo de Xaxado Tenente Lucena do SESC – João Pessoa/ PB.
Trio Pé de Serra do SESC.
Trio Xote Mania.

04 de junho de 2011 (sábado)

20h00min
Grupo de Danças Gilvan Santos / Ponto de Cultura – Serra Talhada/PE.
Grupo Mulheres do Cangaço do SESC – Tributo a Maria Bonita – João Pessoa/PB.
Grupo de Dança Xaxado – A SAGA DE LAMPIÃO - Parnamirim/RN.
Grupo de Xaxado Cangaceiros de Solidão / PE.
Associação Cultural Maria Bonita / Ponto de Cultura – Umari/CE.
Grupo Êita de Projeções Folclóricas – João Pessoa/PB.
APDT – A Noite Cabreira de Angicos – Ponto de Cultura - Paulo Afonso/BA.
Trio Eitanós
Trio Produto Nordestino.

Dentro da Área do Evento estará acontecendo:
Área de Alimentação.
Barracas de bebidas.
Parques de diversões.

XAXANDO NA FEIRA
(NO PÁTIO DA FEIRA LIVRE.)

Dia 03 (Sexta Feira)

10h00min
# Grupo Tenente Lucena  do SESC – João Pessoa/PB.
# Grupo Renascer do SESC – João Pessoa/PB.
# Grupo Mulheres do Cangaço do SESC – Muié Macho, Sim Sinhô -  João Pessoa/PB.

Dia 04 (Sábado)

10h00min
# Grupo de Artes Fênix – João Pessoa/PB.
# Grupo de Danças Gilvan Santos / Ponto de Cultura – Serra Talhada/PE.
# Grupo Dinâmico Cultural – João Pessoa/PB.

MOSTRA DE CINEMA
(MUSEU DO CANGAÇO)

Dia 03 (Sexta Feira)

16h00min
Exibição do Documentário XAXADO – A DANÇA DE CABRA MACHO.

Dia 04 (Sábado)

16h00min
Exibição do filme LAMPIÃO E MARIA BONITA.

OFICINA DE XAXADO
(NO MUSEU DO CANGAÇO)

Dias 03 e 04 (Sexta Feira e Sábado)

09h00min
Origem, Variantes, Teoria e Prática - Ministrada pelo Ponto de Cultura Cabras de Lampião.

FEIRA DE LITERATURA DE CORDEL
(NA VILA FERROVIÁRIA)

Todos os Dias.
Obras clássicas e populares dos melhores cordelistas do Nordeste.

PASSEIO HISTÓRICO / CULTURAL

DIA 05 (Domingo)

09h00min
Saindo do MUSEU DO CANGAÇO seguindo o roteiro NAS PEGADAS DE LAMPIÃO, para o Sítio Passagem das Pedras, onde nasceu Lampião.

E no Clube da Fazenda São Miguel, O BAILE DO XAXADO: Encerramento com a presença de todos os grupos.

REALIZAÇÃO:
PONTO DE CULTURA CABRAS DE LAMPIÃO
MUSEU DO CANGAÇO

terça-feira, 31 de maio de 2011

Coração adivinho...



Cedinho tu me acordaste
Me deste amor, café e pão
Trouxeste flor, me abraçaste
Como vou dizer que não?
Chegaste assim de mansinho
Como se a me observar
Como qual um passarinho
Chegaste sem avisar
E eu que nem esperava
Já no peito sem saber
Um cantinho te guardava
Ainda sem conhecer
Na verdade eu só queria
Pessoa com seu jeitinho
Parece que já sabia
Ah! Coração adivinho
Lestes meus pensamentos
Desvendastes meu querer
Fizestes encantamentos
Que não pude combater
Pois nessa vida não tem
Um só cristão que não queira
Ter o seu peito de refém
Entrar nessa brincadeira
Provar na vida o valor
Dum chamego, um bem querer
Pra viver de brisa e amor
E todo o resto esquecer.

Adriane Freire

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Projeto Revelando PE



Pernambuco quer te levar para o interior. Conheça o projeto Revelando PE

É impossível pensar em Pernambuco sem que a lembrança remeta diretamente às belezas naturais do estado. Cultura rica, praias, carnaval. No entanto, os atrativos daqui ultrapassam os três elementos citados. Para estimular um potencial pouco explorado no turismo local, foi lançado nesta quinta-feira (26) o projeto Revelando Pernambuco. A parceria entre governo estadual – por meio da Secretaria de Turismo do Estado e Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur) - governo federal e Fundação Assis Chateaubriand foi anunciada no Centro de Convenções, em Olinda e contou ainda com representantes do trade.
A principal intenção do projeto é interiorizar o turismo, mostrando que a região tem bem mais atrativos do que se conhece, principalmente no que se refere a entretenimento e conhecimento histórico. Para isso, a ação vai contar com R$ 7 milhões, provenientes do governo federal. O montante será utilizado na divulgação de 14 rotas turísticas que serão criadas para destacar atrativos culturais, geográficos e opções de lazer que incluem o ecoturismo e enoturismo.
Para a criação das rotas foi feita uma pesquisa durante sete seminários, realizados entre 25 de abril e 11 de maio, que levantou dados sobre a melhor maneira de desfrutar das singularidades de cada uma das cidades e sua rota específica. São elas: Rota Forró e Baião de Luiz Gonzaga, Crença e Arte, História e Mar, Costa dos Arrecifes, Águas da Mata Sul, Encostas da Chapada do Araripe, Engenhos e Maracatus, Vinho-Vale do São Francisco, Moda e Confecção, Poesia e Cantoria, Cangaço e Lampião e Ilhas e Lagos do São Francisco.
O secretário estadual de turismo, Alberto Feitosa, destacou a importância das parcerias público-privadas com o objetivo de fomentar o programa. “Não se pode fazer turismo sem mostrar tudo que Pernambuco tem, daí vem a necessidade da implantação do Revelando Pernambuco e interiorizar o turismo”.
A época para o lançamento do Revelando Pernambuco não foi por acaso. O momento pega carona com a expectativa para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, nas quais espera-se que o estado receba um grande fluxo de visitantes que conhecerão o país. O projeto conta, ainda, com cartilhas educativas, guias, oficinas, revistas e campanhas publicitárias que reforçam o papel do turismo como uma das mais promissoras atividades econômicas e seu potencial de geração de renda e inclusão social.
Além das parcerias e sensibilização da população, o Revelando Pernambuco vai contar ainda com uma ação grandiosa e voltada para a educação. Alunos do 1º ano do Ensino Médio de 400 escolas públicas pernambucanas vão participar de um concurso de redação e vídeo. Os autores dos melhores textos serão eleitos como Embaixadores do Turismo e vão ganhar câmeras de vídeo e fotográficas para captarem imagens das localidades onde vivem. Ao final do projeto, todo o material produzido por eles vai ser compilado num documentário institucional veiculado pelo governo estadual.
Dois guias específicos completam o projeto: um direcionado aos gestores municipais e outro especialmente pensado no empresariado. O objetivo é apontar rumos para que os municípios tenham um bom modelo de governança e possam desenvolver seus produtos turísticos.

Por Elian Balbino, com informações de Juliana Cavalcanti

Fim de Feira


o lixo atapeta o chão
um caminhão se balança
quem vem de fora se lança
em cima do caminhão
um ébrio esmurra o balcão
no botequim da esquina
o gari faz a faxina
um cego ensaca a sanfona
e um vendedor dobra a lona
depois que a feira termina.

miçanga, fruta, verdura,
milho feijão e farinha,
bode, suíno, galinha,
miudeza, rapadura.
é esta a imagem pura
de uma feira nordestina
que começa pequenina,
dez horas não cabe o povo.
e só diminui de novo
depois que a feira termina

na matriz que nunca fecha
muito apressado entra alguém
mas sai vexado também
se não o carro lhe deixa
o padre gordo se queixa
do calor que lhe domina
e agita tanto a batina
quem que vê fica com pena
toca o sino pra novena
depois que a feira termina.

a filhinha do mendigo
sentada a seus pés, num beco,
comendo um pão doce seco
diz: papai, coma comigo.
e o velho pensa consigo
meu deus, mudai sua sina
pra que minha pequenina
não sofra o que eu sofro agora
ria a filha, o velho chora
depois que a feira termina.

um pedinte se levanta
da beira de uma calçada
chupando uma manga espada
pra servir de almoço e janta
um boi de carro se espanta
se o motorista buzina
um velho fecha a cantina
um cachorro arrasta um osso
e o pobre “assavessa” o bolso
depois qua a feira termina

um camponês se engana
chega atrasado na feira
não compra mais macaxeira,
nem batata, nem banana
empurra a cara na cana
pra esquecer a ruína,
arroz, feijão, margarina,
açúcar, óleo, salada,
regressa e não leva nada
depois que a feira termina

no açougue da cidade
das cinco e meia em diante
não tem um pé de marchante
mas mosca tem com vontade
um faxineiro abre a grade
tira uma mangueira fina
rodo, pano, creolina,
deixa tudo uma beleza
mas só começa a limpeza
depois que a feira termina

e o dono da miudeza
já tendo fechado a mala
escuta o rapaz que fala
do outro lado da mesa:
- meu senhor, por gentileza,
o senhor tem brilhantina?
ele diz com voz ferina:
- aqui na mala ainda tem
mas eu não vendo a ninguém
depois que a feira termina

um jumento estropiado,
magro que só a desgraça,
quando vê que a feira passa
vai pra frente do mercado
o endereço ao danado
eu não sei quem diabo ensina
eu só sei que baixa a crina
entre as cinco e as cinco e meia
lancha, almoço, janta e ceia
depois que a feira termina.


                   Dedé Monteiro


quinta-feira, 19 de maio de 2011

"CHUVA DE VENTO"


   Ocorreu-me nesses dias uma lembrança muito engraçada e um tanto quanto curiosa da minha infância.  Lembrança essa que viera à tona enquanto eu e meus colegas observávamos maravilhados e ao mesmo tempo assustados, a chuva que caía torrencialmente e que poucas vezes fora vista por nossos olhos de vinte e poucos anos. Lembrei-me desse fato, porque na hora da chuva, o vento era muito forte, a famosa “chuva de vento” que sempre dá aquele medinho lá no fundo de cada um de nós.
   Quando eu era pequena... E quando eu digo pequena é pequena mesmo, pois tinha que subir naquelas madeiras que sustentam as tábuas da porta e suas dobradiças, pra poder, na ponta dos pés, ver a chuva caindo (coisa que aprecio desde que consigo me lembrar).  Era uma tarde de domingo, a gente costumava ir à casa dos meus avós, quase que todo final de semana, na época de chuvas especialmente e esse final de semana não foi diferente.
   A chuva começou de repente com aqueles enormes pingos que chegam a doer o juízo se atingem nossa cabeça; corremos pra dentro da casa, porque minha mãe e minha vó logo começaram a gritar, mandando sairmos da chuva, por que se dependesse de mim ficava!
   Eu entrei e como sempre, fui logo me trepar nas madeiras da porta, pra ficar observando aquilo tudo, mas naquele dia foi diferente, começou de súbito uma ventania que mais parecia que iria carregar consigo, casa, mãe, vó, vô, inclusive eu, que mesmo com medo, agarrava-me forte à porta, mas não saía de lá! Queria ver tudo!
   Todos estavam com medo da chuva, o vento era muito forte e aquilo começou a ficar mesmo sério, quando minha vó percebeu que suas amadas plantas e flores estavam sendo devastadas por aquele vento incontrolável... Aí não!! Um absurdo desses não poderia acontecer!! Tudo, menos maltratar suas lindas e queridas plantas!!
   Minha vó tinha plantas e flores por todo o entorno da casa; casa de quintal enorme e terreiro maior ainda e ainda do lado da casa um terreno cercado com mais uma enorme variedade de plantas e flores, o qual ela chamava carinhosamente de “minha horta”. Quando viu todas as suas lindas flores machucadas ou caindo com a força do vento ela decidiu tomar decisões drásticas...
   Foi até a pequena cozinha que havia ao fundo da cozinha maior, onde o fogão de lenha cozinhava vagarosamente o feijão na panela de barro, pegou uma considerável quantidade de cinzas, o suficiente pra encher uma bacia pequena, daquelas brancas de estanho que todo mundo tem ou já teve em casa (pelo menos todo sertanejo); pegou também duas facas peixeiras enormes com as quais meu avô costumava cortar a lenha mais fina pra acender o fogo e veio em direção à porta da cozinha, onde eu estava “pendurada”.
   Aquela cena me tirou a concentração da chuva e elevou meu olhar curioso àqueles elementos nas mãos da minha vó.
Foi então que eu perguntei:

- Vovó, pra quê isso??!?

Ela respondeu-me com sabedoria:

-Então não sabe menina?!!?
-As facas são pra cortar o vento e as cinzas pra fazer a chuva parar!!!!

Fiquei intrigada. Como poderia?? Duas facas e uma bacia de cinzas, conseguirem parar a própria natureza?!?!
Minha vó jogou por cima da minha cabeça, primeiro, uma das facas na diagonal e em seguida a outra no sentido oposto, como se formassem um “X” e disse:

-Tem que jogar cruzado senão não funciona!

   Em seguida jogou as cinzas bem pro alto e com força de tal forma, que se espalharam, mesmo com toda aquela chuva e pronto! Estava feito!!Não sei como, se pela “simpatia” da minha sábia avó ou mesmo obra coincidente da natureza...

   Só sei que não deram 2 minutos e a chuva converteu-se em garoa daquelas que dá vontade de dormir pra sempre... 


                                                                                                              Adriane Freire