quarta-feira, 2 de março de 2011






Minha corda não se estica
não se tora nem se enverga
da terra pro firmamento
meu pensamento se alberga
em um lugar tão distante
que lente nenhuma enxerga.




Pinto do Monteiro

terça-feira, 1 de março de 2011

O ERRO DA VENDEDORA



O engano é uma falha
Difícil de reverter
Por ele tem muita gente
Pagando sem merecer
Quantos pobres inocentes
Tidos como delinquentes
Vivem a se lastimar
Pois se errar fosse humano
Quem cometesse um engano
Não deveria pagar.

Um estudante entrou numa
Loja especializada
Para comprar um presente
Para a sua namorada
Que estava noutra cidade
Depois de olhar à vontade
Os produtos da vitrine
Despertou-lhe o interesse
Por algo que aquecesse
Os dedos da mão de Aline

E um belíssimo par de luvas
Comprou para a namorada
E pediu a vendedora
Moça fina e educada
Que embalasse o presente
Inadivertidamente
No lugar da encomenda
A moça se atrapalhou
Invés das luvas botou
Uma calcinha de renda

E entregou para o moço
Que acabara de escrever
Um bilhete à namorada
Dizendo como fazer
Com aquele presentaço:
Minha querida um abraço
E beijos apaixonados
Meu amor esse presente
Vista pensando na gente
No dia dos namorados

Lhe comprei, porém, sabendo
Que você não vai usar
Porque quem nunca vestiu
É difícil acostumar
Eu mesmo queria ir
Pra lhe ajudar a vestir
Como eu fiz com a vendedora
E se nela eu gostei de ver
Eu imagino em você
Minha deusa encantadora!

Ela ainda garantiu
Que não mancha nem desbota
A mão entrando e saindo
Não rasga nem amarrota
Eu comprei frouxa na frente
Pra mão descer livremente
Na bainha dos torpedos
E sem precisar cortar
Lá dentro facilitar
O movimento dos dedos

Torço para que te sintas
Feliz com este presente
Que irá cobrir aquilo
Que pedirei brevemente
Cobrir aquilo que um dia
Quando eu não te conhecia
Não podia nem tocar
Hoje pego, beijo amasso,
Coço, massageio e faço
Você gemer e sonhar

Só uma coisa lhe peço
Depois que você usar
Coloque um pouco de talco
Que é pra desinfectar
E pra sair o mal cheiro
Feito isso o tempo inteiro
Pode usar e se exibir
Se perguntarem que deu
Pode dizer que fui eu:
Seu namorado Valdir

A pobre moça tomou
Aquilo por gozação
Num instante veio abaixo
Seu castelo de paixão
Despachou o namorado
Que até hoje o coitado
A culpa imerecedora
Carrega sem entender
E assim pagou sem dever
O ERRO DA VENDEDORA!

(Chico Pedrosa)


Post dedicado à minha amiga Aline (vulgo: Garrafinha) heheh

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Ismola Pra São José

           
Tem certas coisa, Seu Môço, 
Que eu não gosto muito não. 
Pur inzêmplo: 
Ôvi contá história de operação, 
De arracamento de dente, 
Ôvi história de briga... 
Eu posso inté escuitá, 
Mai me dá uma fadiga! 

E ôta coisa, Seu Môço, 
Que, de bom gosto, eu nun faço: 
É dá ismola a quem pede, 
Cum Santo dibaxo do braço! 
Pruquê eu acho que o Santo 
Nun tem muita precisão. 
Afinár, eu nunca vi 
Um Santo comê feijão! 

Mais, pru má dos meus pecado, 
Ou, pru minha pouca fé, 
Tudo dia, lá em casa, 
Passa um veínho, andano a pé. 
Pru sinal, muito filiz, 
Cantarolano, e tal, 
Chega na minha porta, 
Bate palma e diz: 
- Ismola pa São Jusé!... 

O diabo da muié, 
Que é muito curvitêra, 
- Eu nunca vi uma muié, 
Qui nun fosse rezadêra! - 
Adiquére um tanto quanto, 
Corre e vai dá lá pro Santo. 
Qué dizê, pro santo, 
Pro véio fazê a fera! 

De manhã, logo cedin, 
Eu vou tomá meu café, 
Quando dô fé, ó o grito: 
-- Ismola pa São Jusé!... 
-- Ôooo!... 
Mais isso foi me encheno o saco, 
Mais me encheno pru dimais! 
Um dia, cheguei em casa, 
Cum a barguía da carça virada pa tráis, 

Sentei num tôco de pau, 
Tumei uma de rapé, 
Quando, de repente, ouvi o grito: 
--Ismola pa São Jusé!... 
Pra móde dá a ismola, 
A muié se arremecheu. 
Eu fui e gritei: -- Num vá não! Dêxa! 
Hoje, quem vai dá essa esmola sô eu! 

Quando eu cheguei na porta, 
O velho teve um espanto. 
Eu fui e disse: 
-- Vá trabaiá, vagabundo! 
Qui eu num dô ismola pra santo! 
Troque o santo numa enxada! 
Dêxa de ser preguiçoso! 
Santo num carece de esmola, rapaiz, 
Dêxa de ser... mintiroso!... 

O véio me oiô, e me disse: 
-- Que São José te perdoe! 
E, se Deus tivé te ouvino, 
Que Ele te abençoe! 
E que cubra tua casa de Paiz, Amô, 
União, Sussêgo, Prosperidade, 
Confôrto e Cumpriensão! 
E, se um dia o sinhô pricisá 
desse veinho, 
Ele não mora tão perto, 
Mai eu lhe insino o caminho: 

Mora no sítio Cauã, 
Onde já viveu meu pai, 
À direita de quem vem, 
À esquerda de quem vai! 
E, se um dia o sinhô passá 
Pur ali, com pricisão, 
De fome o sinhô num morre, 
Tomém num drome no chão! 

Quando o Véio disse aquilo, 
Eu senti, naquele instante, 
Como seu eu fosse uma... 
Uma frumiga, 
Sob os pé de dum elefante!... 
Fiquei com as perna tremeno! 
Digo e num peço segrêdo: 
Óia, aquele véio me deu ma surra, 
Sem me tocá com um dedo!... 

Eu, com tanta ignorança! 
Ele, tanta mansidão! 
Fêiz eu pagá muito caro, 
Minha farta de cumpriensão! 

Então, naquele momento, 
Eu gritei pra Salomé, 
Mandei trazê, pro Veinho, 
Uma boa xícara de café, 
E fui, correno, contá meu dinheiro: 
Tinha somento um cruzêro! 
Dei tudin pra São José!!! 





  Autor: Zé Laurentino 

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Doença no nordeste, tem sempre nome esquisito!!

Porque o nordestino é criativo, pra tudo no mundo inventa uma explicação e um nome. Com as doenças não é diferente. Pode ser a unhazinha encravada ou um sopro no coração, logo se arranja um nome pra batizar a mazela.
Deixe um comentário se conhece alguma que não citei nessa lista ou o significado das que estão faltando.

Água nas junta
Algueiro
Alôjo
Antójo (enjôo durante a gravidez)
Astrose e astrite
Barriga farosa
Berruga (verruga)
Bicheira
Bicho de pé
Bico de papagaio (desvio na coluna)
Ficar de Bode (ficar chateado)
Ficar de Boi (ficar menstruada)
Boqueira (herpes)
Bucho quebrado
Cachingar (mancar)
Caduquice (esclerose)
Calo seco
Calombo
Campanhia caída
Cansaço no coração
Carne triada
Cesão
Chaboque do joelho arrancado
Cobreiro de pé (bolhas com coceira)
Corpo muído
Corpo reimoso
Curuba (ferida)
Dentiquêro
Desenchavido
Difruço (resfriado)
Difuluço
Doença dos nervo
Dor de viado
Dor na junta
Dor nas cadeira
Dor nas costas que responde na perna
Dor nas cruz
Dor no espinhaço (dor na coluna)
Dor no estambo (qualquer tipo de dor na barriga)
Dor no mucumbú
Dor no pé da barriga
Dor nos brugumi
Dor nos quartos (dor na parte lombar)
Dordói (conjuntivite)
Dormência numa banda do corpo
Empachado (cheio de fezes)
Entojo
Esmorecimento no corpo
Espinha carnal
Esporão de galo
Esquentamento
Estalicido (coriza)
Estopor
Farnizim
Fastio
Fervião no corpo
Fígado ofendido
Fininha (diarréia)
Fraco dos nervo
Frieira (micose nos pés)
Gastura
Gôgo
Gôto inflamado (quando a comida cai no gôto)
Impinge (micose na pele)
Infraquicida
Íngua
Inquizila
Intalo
Intanguida
Intupido (passar dias sem defecar)
Iscuricimento de vista (tontura)
Ispinhela caída
Juêi dismantelado
Juízo incriziado
Landra inchada (gânglios inchados)
Lundu
Mãe do corpo do lado de fora
Mal jeito no espinhaço (dor na coluna)
Maria preta
Môco
Moleira mole
Mondrongo
Morgado (desanimado)
Mucuim
Mufumba
Murrinha
Nervo torto
Nó nas tripa
Nuvem branca
Olho de peixe (verruga na planta do pé)
Ombro dismintido
Os quarto arriado
Pá quebrada
Pano branco
Papeira
Papêra (Caxumba)
Papoca no pé
Papoquinha
Passamento (desmaio)
Pé dismintido (pé torcido)
Pé durmente (pé inflamado)
Pé inchado (pé inflamado)
Pereba (ferida)
Pilôra (desmaio)
Pira
Pito frouxo
Quarta venerea
Quebranto (mau olhado)
Queima no estombo
Remela no zói (olho sujo)
Resguardo
Ruçara
Sapinho (aftas na lingua)
Sapiranga nos ói
Sete couro
Solitária
Tirissa
Tisga
Tísico
Tosse de cachorro (tosse seca)
Treiçó
Unha fofa
Unheiro
Vazamento pelo pito (diarréia)
Vêia quebrada
Vento caído
Vermêia
Vista cansada
Xanha (coçeira nos pêlos pubianos)
Zaróio (vesgo)
Zóio nuviado
Zôvo gôro
Zôvo virado

sábado, 26 de fevereiro de 2011

A ciência do matuto...


“COMO É QUE O MATUTO DESCOBRE A ALTURA DE UMA ÁRVORE?”

Te peguei heein???



“É MUITO SIMPLES. O MATUTO DÁ AS COSTAS PARA A ÁRVORE E COMEÇA A ANDAR DE QUATRO, COM AS PERNAS ESTICADAS, OLHANDO SEMPRE ENTRE AS PERNAS PARA A ÁRVORE QUE QUER MEDIR.”
“ELE CONTINUA SE AFASTANDO NA MESMA POSIÇÃO, ATÉ O MOMENTO EM QUE CONSEGUE ENXERGAR ENTRE AS PERNAS O TOPO DA ÁRVORE. AÍ ELE PÁRA.”


“PRONTO: AÍ É SÓ MEDIR A DISTÂNCIA ENTRE (B) O LUGAR QUE ELE PAROU E (A) O PÉ DO TRONCO DA ÁRVORE. ESSA DISTÂNCIA É A ALTURA [ESTIMADA] DA ÁRVORE.”


RÁA!!!


O mesmo procedimento, serviria, naturalmente, para medir postes, edifícios e escarpas, na cidade ou no campo. Nunca testei o método, mas uma coisa é certa: A inteligência e criatividade do matuto é infinita!!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Música melhora a longevidade

Não é de hoje que a música é usada no tratamento de Alzheimer e outros males. Durante a Segunda GuerraMundial, a música teve um efeito benéfico nos soldados que sofriam de distúrbios pós-guerra. Cantar ajuda o sistema emocional a aliviar o stress causado por um trauma emocional. A partir daí, ela também diminui a pressão alta do sangue e acaba com a depressão e problemas do sono. Alguns médicos também utilizam a música como terapia para a cura do câncer, por acreditar que ela ameniza sintomas da doença. Nesse caso, a música é utilizada numa terapia que combina meditação e visualização. A música clássica melhora as funções congnitivas, auxiliando a memória, a concentração. Quer saber em que mais a música atua de forma benéfica? Ela melhora o raciocínio, estimula o sistema imunológico, diminui a pressão sanguínea, relaxa a tensão muscular, regula os hormônios do estresse, eleva o humor e aumenta a resistência.

Mulher rendeira



A música “Mulher Rendeira” é cercada pelas lendas. Enquanto uns dizem que
 se trata de um antigo tema popular, os mais antigos afirmam que teria 
sido feita pelo próprio Lampião, inspirado na figura de sua avó, uma exímia 
da arte de fazer rendas.

O fato é que referida canção foi muito cantada nos sertões nordestinos
 no tempo do rei do cangaço. Por isso, fez parte da trilha sonora do premiado 
filme “O Cangaceiro”, de Lima Barreto, que o celebrizou no país e no exterior.
 Na ocasião, sofreu uma adaptação do compositor Zé do Norte 
(Alfredo Ricardo do Nascimento), autor de outras músicas do filme, 
que manteve a sua estrutura original.

Comprova o sucesso de “Mulher Rendeira” o grande número de gravações 
que recebeu na época, inclusive fora do Brasil. Tem até uma gravação de um 
antigo cabra do bando de Lampião, o cangaceiro Volta Seca.
 E hoje, apesar das alterações na sua forma original, representa 
o canto oficial do cangaceirismo. Existem várias versões, mas esta a seguir 
parece que é a verdadeira:

Olê muié rendeira
Olê muié rendá
Tu me ensina a fazê renda
Que eu te ensino a namorá.

Olê muié rendeira
Olê muié rendá
Chorou por mim não fica
Soluçou vai pro borná.

As moças de Vila Bela
São pobres mas tem ação
Passam o dia na janela
Namorando Lampião.

O rifle de Lampião
Tem cinco laços de fita
Lampião só para em casa
Onde tem muié bonita.

Minha mãe me dá dinheiro
Prá comprar um cinturão
Pra vivê de cartucheira
No bando de lampião.

O Ceará ta de luto
Pernambuco de sofrimento
Alagoas de porta aberta
Lampião xaxando dentro.

Olê muié rendeira
Olê muié rendá
Tu me ensina a fazê renda
Que eu te ensino a namorá.