quinta-feira, 26 de maio de 2011

Fim de Feira


o lixo atapeta o chão
um caminhão se balança
quem vem de fora se lança
em cima do caminhão
um ébrio esmurra o balcão
no botequim da esquina
o gari faz a faxina
um cego ensaca a sanfona
e um vendedor dobra a lona
depois que a feira termina.

miçanga, fruta, verdura,
milho feijão e farinha,
bode, suíno, galinha,
miudeza, rapadura.
é esta a imagem pura
de uma feira nordestina
que começa pequenina,
dez horas não cabe o povo.
e só diminui de novo
depois que a feira termina

na matriz que nunca fecha
muito apressado entra alguém
mas sai vexado também
se não o carro lhe deixa
o padre gordo se queixa
do calor que lhe domina
e agita tanto a batina
quem que vê fica com pena
toca o sino pra novena
depois que a feira termina.

a filhinha do mendigo
sentada a seus pés, num beco,
comendo um pão doce seco
diz: papai, coma comigo.
e o velho pensa consigo
meu deus, mudai sua sina
pra que minha pequenina
não sofra o que eu sofro agora
ria a filha, o velho chora
depois que a feira termina.

um pedinte se levanta
da beira de uma calçada
chupando uma manga espada
pra servir de almoço e janta
um boi de carro se espanta
se o motorista buzina
um velho fecha a cantina
um cachorro arrasta um osso
e o pobre “assavessa” o bolso
depois qua a feira termina

um camponês se engana
chega atrasado na feira
não compra mais macaxeira,
nem batata, nem banana
empurra a cara na cana
pra esquecer a ruína,
arroz, feijão, margarina,
açúcar, óleo, salada,
regressa e não leva nada
depois que a feira termina

no açougue da cidade
das cinco e meia em diante
não tem um pé de marchante
mas mosca tem com vontade
um faxineiro abre a grade
tira uma mangueira fina
rodo, pano, creolina,
deixa tudo uma beleza
mas só começa a limpeza
depois que a feira termina

e o dono da miudeza
já tendo fechado a mala
escuta o rapaz que fala
do outro lado da mesa:
- meu senhor, por gentileza,
o senhor tem brilhantina?
ele diz com voz ferina:
- aqui na mala ainda tem
mas eu não vendo a ninguém
depois que a feira termina

um jumento estropiado,
magro que só a desgraça,
quando vê que a feira passa
vai pra frente do mercado
o endereço ao danado
eu não sei quem diabo ensina
eu só sei que baixa a crina
entre as cinco e as cinco e meia
lancha, almoço, janta e ceia
depois que a feira termina.


                   Dedé Monteiro


quinta-feira, 19 de maio de 2011

"CHUVA DE VENTO"


   Ocorreu-me nesses dias uma lembrança muito engraçada e um tanto quanto curiosa da minha infância.  Lembrança essa que viera à tona enquanto eu e meus colegas observávamos maravilhados e ao mesmo tempo assustados, a chuva que caía torrencialmente e que poucas vezes fora vista por nossos olhos de vinte e poucos anos. Lembrei-me desse fato, porque na hora da chuva, o vento era muito forte, a famosa “chuva de vento” que sempre dá aquele medinho lá no fundo de cada um de nós.
   Quando eu era pequena... E quando eu digo pequena é pequena mesmo, pois tinha que subir naquelas madeiras que sustentam as tábuas da porta e suas dobradiças, pra poder, na ponta dos pés, ver a chuva caindo (coisa que aprecio desde que consigo me lembrar).  Era uma tarde de domingo, a gente costumava ir à casa dos meus avós, quase que todo final de semana, na época de chuvas especialmente e esse final de semana não foi diferente.
   A chuva começou de repente com aqueles enormes pingos que chegam a doer o juízo se atingem nossa cabeça; corremos pra dentro da casa, porque minha mãe e minha vó logo começaram a gritar, mandando sairmos da chuva, por que se dependesse de mim ficava!
   Eu entrei e como sempre, fui logo me trepar nas madeiras da porta, pra ficar observando aquilo tudo, mas naquele dia foi diferente, começou de súbito uma ventania que mais parecia que iria carregar consigo, casa, mãe, vó, vô, inclusive eu, que mesmo com medo, agarrava-me forte à porta, mas não saía de lá! Queria ver tudo!
   Todos estavam com medo da chuva, o vento era muito forte e aquilo começou a ficar mesmo sério, quando minha vó percebeu que suas amadas plantas e flores estavam sendo devastadas por aquele vento incontrolável... Aí não!! Um absurdo desses não poderia acontecer!! Tudo, menos maltratar suas lindas e queridas plantas!!
   Minha vó tinha plantas e flores por todo o entorno da casa; casa de quintal enorme e terreiro maior ainda e ainda do lado da casa um terreno cercado com mais uma enorme variedade de plantas e flores, o qual ela chamava carinhosamente de “minha horta”. Quando viu todas as suas lindas flores machucadas ou caindo com a força do vento ela decidiu tomar decisões drásticas...
   Foi até a pequena cozinha que havia ao fundo da cozinha maior, onde o fogão de lenha cozinhava vagarosamente o feijão na panela de barro, pegou uma considerável quantidade de cinzas, o suficiente pra encher uma bacia pequena, daquelas brancas de estanho que todo mundo tem ou já teve em casa (pelo menos todo sertanejo); pegou também duas facas peixeiras enormes com as quais meu avô costumava cortar a lenha mais fina pra acender o fogo e veio em direção à porta da cozinha, onde eu estava “pendurada”.
   Aquela cena me tirou a concentração da chuva e elevou meu olhar curioso àqueles elementos nas mãos da minha vó.
Foi então que eu perguntei:

- Vovó, pra quê isso??!?

Ela respondeu-me com sabedoria:

-Então não sabe menina?!!?
-As facas são pra cortar o vento e as cinzas pra fazer a chuva parar!!!!

Fiquei intrigada. Como poderia?? Duas facas e uma bacia de cinzas, conseguirem parar a própria natureza?!?!
Minha vó jogou por cima da minha cabeça, primeiro, uma das facas na diagonal e em seguida a outra no sentido oposto, como se formassem um “X” e disse:

-Tem que jogar cruzado senão não funciona!

   Em seguida jogou as cinzas bem pro alto e com força de tal forma, que se espalharam, mesmo com toda aquela chuva e pronto! Estava feito!!Não sei como, se pela “simpatia” da minha sábia avó ou mesmo obra coincidente da natureza...

   Só sei que não deram 2 minutos e a chuva converteu-se em garoa daquelas que dá vontade de dormir pra sempre... 


                                                                                                              Adriane Freire


quarta-feira, 11 de maio de 2011

Festival de Teatro Cena Aberta


  
 "O II FESTIVAL CENA ABERTA, que acontecerá no período de 12 a 21 de maio, na cidade de Arcoverde -   PE.


O Festival que é uma realização Associação Cultural Tropa do Balaco, com incentivo do Funda Pernambucano de Incentivo á Cultura - FUNCULTURA e apoio do SESC e da Prefeitura Municipal de Arcoverde, traz nessa edição uma mostragem da cena arcoverdense, quando os três grupos em atividade na cidade mostrarão seus espetáculos numa troca com mais 18 núcleos teatrais vindo além de outras cidades pernambucanas, dos estados No Amazonas, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul. Serão 31 apresentações artísticas, de 21 grupos, num passeio pelas linguagens do Teatro Adulto e Infantil, de Bonecos, Circenses e das Danças e tradições da cultura popular nordestina.

Fazendo jus ao seu nome o Festival Cena Aberta, acontecerá pelas ruas, praças e espaços alternativos da cidade de Arcoverde, num passeio que vai do SESC à Estação da Cultura, passando pela Fundação Terra, Clube dos Subtenentes, Presídio Brito Alves, Alto Cruzeiro, e os bairros da Boa Vista, São Cristóvão, São Geraldo COHAB I, Praças da Bandeira e Virgínia Guerra e a Sede da Tropa do Balaco Baco onde será instalado um espaço de interação e lazer artístico para público e grupos participantes do Festival.

A Tropa do Balaco Baco sente-se honrada em receber os grupos convidados e convida a comunidade arcoverdense a celebrar conosco essa festa do teatro transformando as ruas e praças da cidade nos palcos onde se representa a vida. Viva o Teatro! Viva o Teatro na Rua!"

Boa pedida pra quem quer uma boa dose de cultura, entretenimento e diversão. E também para prestigiar, e, no caso daqueles que não conhecem o trabalho da Tropa, verem de perto o talento e a criatividade dos que dela fazem parte; bem como, poder assistir os mais diversos tipos de espetáculos dos mais variados grupos e companhias de outros estados, que também estarão presentes no evento.
Vale muito a pena conferir!!!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Portas da Solidão


Nas portas da solidão
Pintei o amor que vivi
E por faltar-me inspiração
Pintei só o que eu senti

Quis mostrar-te minha dor
Por mais uma vez somente
Quis te dar o meu amor
No meu peito inda vivente

Mas você não viu a arte
Que com amor dediquei
Ah meu deus como eu sonhei
Mais uma vez encontrar-te

E foi pelas mesmas portas
Que a solidão me fechou
Vi esperanças já mortas
No terreiro a minha dor

Eu vi a chuva chegando
E a pintura derretendo
A solidão me acometendo
E eu ainda te amando.


Adriane Freire

quarta-feira, 4 de maio de 2011

São João 2011 em Arcoverde





Foi divulgada a programação do São João de Arcoverde, confiram abaixo as atrações que passarão pelo palco principal dessa festa, que já é uma das maiores de Pernambuco e pra muita gente é o verdadeiro "melhor São João do mundo"



Sexta – Feira – Dia 17/06
Os Pariceiros – Homenagem ao Tema
Dominguinhos
Forró Curtição

Sábado – Dia 18/06
Petrucio Amorim
Saia Rodada

Domingo – Dia 19/06
Arnaldo Farias – Tributo a Gonzagão
Geraldinho Lins
Garota Safada

Segunda – Feira – Dia 20/06
Arrocha Morena
Calcinha Preta
Banda Oasis

Terça – Feira – Dia 21/06
Mazinho de Arcoverde
Maciel Melo
Magníficos

Quarta – Feira – 22/06
Wagner Carvalho
Banda Santropé

Quinta – Feira – 23/06
Coco Trupé de Arcoverde com Cícero Gomes
Banda os Sertões com Cleiton Barros (ex-Cordel do Fogo Encantado)
Geraldo Azevedo

Sexta – Feira – Dia 24/06
Vicente Nery e Banda Cheiro de Menina
Banda Três Desejos

Sábado – Dia 25/06 (Transmissão da Glogo Nordeste)
Renato Teixeira
Gatinha Manhosa

Domingo – Dia 26/06
Banda Pinga Fogo
Nando Cordel
Eliane

Segunda – Feira – Dia 27/06
Valdinho Paes
Cavaleiros do Forró
Arreio de Ouro

Terça – Feira – Dia 28/06
Zé Ramalho
Falamansa

Este ano, na minha opinião a qualidade da festa foi elevada, tendo em vista, que a cultura regional, assim como seus artistas e o autentico forró pé de serra, que, diga-se de passagem, deveria ser o “astro principal” das festas de são João, receberam nitidamente uma atenção especial.
Espero que o São João de Arcoverde continue nesse processo de constante evolução, mostrando sempre aos turistas e também aos que aqui vivem o quão rica e bela é a nossa cultura, arte, música, enfim...
Nossa bela ARCOVERDE!!

sábado, 30 de abril de 2011

O vaqueiro...


Eu venho dêrne menino,
Dêrne munto pequenino,
Cumprindo o belo destino
Que me deu Nosso Senhô.
Eu nasci pra sê vaquêro,
Sou o mais feliz brasilêro,
Eu não invejo dinhêro,
Nem diproma de dotô.

Sei que o dotô tem riquêza,
É tratado com fineza,
Faz figura de grandeza,
Tem carta e tem anelão,
Tem casa branca jeitosa
E ôtas coisa preciosa;
Mas não goza o quanto goza
Um vaquêro do sertão.

Da minha vida eu me orgúio,
Levo a Jurema no embrúio
Gosto de ver o barúio
De barbatão a corrê,
Pedra nos casco rolando,
Gaios de pau estralando,
E o vaquêro atrás gritando,
Sem o perigo temê.

Criei-me neste serviço,
Gosto deste reboliço,
Boi pra mim não tem feitiço,
Mandinga nem catimbó.
Meu cavalo Capuêro,
Corredô, forte e ligêro,
Nunca respeita barsêro
De unha de gato ou cipó.

Tenho na vida um tesôro
Que vale mais de que ôro:
O meu liforme de côro,
Pernêra, chapéu, gibão.
Sou vaquêro destemido,
Dos fazendêro querido,
O meu grito é conhecido
Nos campo do meu sertão.

O pulo do meu cavalo
Nunca me causou abalo;
Eu nunca sofri um galo,
pois eu sei me desviá.
Travesso a grossa chapada,
Desço a medonha quebrada,
Na mais doida disparada,
Na pega do marruá.

Se o bicho brabo se acoa,
Não corro nem fico à tôa:
Comigo ninguém caçoa,
Não corro sem vê de quê.
É mêrmo por desaforo
Que eu dou de chapéu de côro
Na testa de quarqué tôro
Que não qué me obedecê.

Não dou carrêra perdida,
Conheço bem esta lida,
Eu vivo gozando a vida
Cheio de satisfação.
Já tou tão acostumado
Que trabaio e não me enfado,
Faço com gosto os mandado
Das fia do meu patrão.

Vivo do currá pro mato,
Sou correto e munto izato,
Por farta de zelo e trato
Nunca um bezerro morreu.
Se arguém me vê trabaiando,
A bezerrama curando,
Dá pra ficá maginando
Que o dono do gado é eu.

Eu não invejo riqueza
Nem posição, nem grandeza,
Nem a vida de fineza
Do povo da capitá.
Pra minha vida sê bela
Só basta não fartá nela
Bom cavalo, boa sela
E gado pr’eu campeá.

Somente uma coisa iziste,
Que ainda que teja triste
Meu coração não resiste
E pula de animação.
É uma viola magoada,
Bem chorosa e apaxonada,
Acompanhando a toada
Dum cantadô do sertão.

Tenho sagrado direito
De ficá bem satisfeito
Vendo a viola no peito
De quem toca e canta bem.
Dessas coisa sou herdêro,
Que o meu pai era vaquêro,
Foi um fino violêro
E era cantadô tombém.

Eu não sei tocá viola,
Mas seu toque me consola,
Verso de minha cachola
Nem que eu peleje não sai,
Nunca cantei um repente
Mas vivo munto contente,
Pois herdei perfeitamente
Um dos dote de meu pai.

O dote de sê vaquêro,
Resorvido marruêro,
Querido dos fazendêro
Do sertão do Ceará.
Não perciso maió gozo,
Sou sertanejo ditoso,
O meu aboio sodoso
Faz quem tem amô chorá.


Patativa do Assaré

CESTA DE POESIA!


Ontem aconteceu na Budega da Poesia, aqui em Arcoverde, mais uma Cesta de Poesia, com a participação doa poetas arcoverdenses e da boa música de Leandro Vaz e Noé Lira, que sabem como ninguém contagiar o público com seu repertório que à todos agrada.
 Fica fixada a Cesta de Poesia, que acontecerá toda última sexta-feira de cada mês; quem quiser e for amante da boa poesia regional e da cultura popular do nosso sertão, é só aparecer por lá, que será presenteado com bons versos, ótimos declamadores e aquele forrozim pé de serra, que ninguém é de ferro né?
 Ontem passaram por lá os poetas: Fernando, Seu Eliseu, Irasson, Jaelson, Esdras, Rominho e a nossa querida poetisa Edilza que com sua irreverência, à todos fascina.
Hoje, dia 30/04/2011, novamente os amigos se reúnem por lá, mas dessa vez pra tocar um autentico forró e fazer o povo dançar até acabar a sola do sapato.
Fica aqui o meu convite à todos. Pra quem já conhece, sabe que vale a pena aparecer por lá e pra quem não conhece...

Não sabe o que ta perdendo visse!?!?