sexta-feira, 1 de abril de 2011

É O QUE TEMOS PRA HOJE...


 Esses dias eu vi na internet uma frase de algum humorista que dizia o seguinte: “John Lennon foi morto por um fã, onde estão os fãs de verdade do Restart”?? Isso me intrigou muito no sentido de saber qual motivo que leva uma pessoa a destilar seu humor negro de tal forma.
 A primeira conclusão que me veio à mente foi a de que muitas pessoas se revoltam com o atual cenário da música brasileira e mundial, mas poucas expressam suas opiniões e acabam esmagados pela grande massa de seguidores e discípulos da mídia. A mídia impõe à vontade o que deve ou não fazer sucesso e sabe do seu poder de persuasão em pessoas de mente reduzida e inerte, que acha que estando com a maioria, está no caminho certo. Além da influencia da mídia, tem também a disseminação de certas culturas adolescentes, onde o que é legal é o que está na Capricho, na Malhação ou na MTV, não importa a qualidade!
 A falta de qualidade talvez seja reflexo da globalização e da urgência que os dias atuais exigem. Dias em que tudo é descartável e nada dura mais que um breve momento.  Em um mundo onde tudo se tornou supérfluo e ninguém mais dá valor ao que realmente é real e consistente.
 Não estou falando que antigamente não existia música ruim, não!! Tanto que em meio à explosão do rock nacional e internacional, Jovem Guarda, Tropicália havia sempre um “Ursinho Blau Blau” pra representar o lado nonsense da força, mas a maior parte do que se disseminava entre os jovens era música boa, com letra, arranjos fantásticos, lindas melodias e conteúdo inquestionável.  Movimentos que sobrevivem até hoje, mas que estão há anos luz da cabeça dessa garotada, que dizem os sábios: São o futuro do planeta!
 Não sei se esse futuro será bom... Mas pelo menos será muito colorido!!

 Por fim, sei que sou mais uma, entre poucos a expressar esta revolta, mas não podemos deixar que nos sejam impostas essas piadas que chamam por aí de músicas, como um almoço de boteco, onde o cardápio já está predefinido em um quadro negro no canto do salão...

RESTART
FIUK
CLAUDIA LEITE
LADY GAGA
WANESSA
JUSTIN BIEBER...

É o que temos pra hoje... 
Resta-nos engolir...

Ou cuspir!!!


                                                        Adriane Freire.

quinta-feira, 31 de março de 2011

SOU DO SERTÃO



Sou do sertão sim sinhô
Digo isso com louvor
E não me atrevo a negar
Pois nem que eu quisesse doutor
Tá na cara é só olhar
Já no couro impregnou
A terra que meu pé pisou
Quando nem sabia andar
Terra seca do chão quente
Da caatinga do meu sertão
Chuva pouca, sol ardente
Mas de povo bem contente
Que pede sempre em oração
Tiquinho de chuva que seja
Pois na vida sertaneja
Não há hora mais contente
Do que quando a chuva cai
Na boca não cabe os dente
É quando o sol não sai
Que no sertão da gente
O céu fica mais bonito
É que a gente vê o infinito
A esperança renovar
E vai simbora plantar
Ver nosso milho brotar
E o feijão encher de flor
É coisa linda de ver
Mas só vim esclarecer
De onde venho e aonde vou
Fique logo então sabendo
Aonde chego vou dizendo
Sou do sertão sim sinhô!!

Adriane Freire

ESCRAVOS DE JÓ JOGAVAM CAXANGÁ...





A cantiga popular todo mundo conhece:

"Escravos de Jó, jogavam caxangá
Tira, bota, deixa o Zé Pereira ficar...
Guerreiros com guerreiros fazem zigue zigue zá
Guerreiros com guerreiros fazem zigue zigue zá...
"

Mas você sabe quem era Jó? Por que ele tinha escravos? Que jogo caxangá é esse?
Jó é um personagem bíblico do antigo testamento que possuía uma grande paciência. Dai a expressão "Paciência de Jó". Segundo a Bíblia, Deus apostou com o Diabo que Jó, mesmo perdendo as coisas mais preciosas que possuía (filhos e fortuna) não perderia a fé.

Nada indica que Jó tinha escravos e muito menos que jogavam o tal caxangá. Acredita-se que a cultura negra tenha se apropriado da figura para simbolizar o homem rico da cantiga de roda. Os guerreiros que faziam o zigue zigue zá, seriam os escravos fugitivos que corriam em ziguezague para despistar o capitão-do-mato.

O mais difícil de entender é o que seria o caxangá. Segundo o dicionário Tupi-Guarani-Português, a palavra vem de caá-çangá, que significa "mata extensa". Para o Dicionário do Folclore Brasileiro, é um adereço muito usado pelas mulheres do estado de Alagoas. A verdade é que a cantiga vem sofrendo e ainda sofre modificações em seus versos de estado para estado. Afinal de contas, o correto seria deixarmos o Zambelê ou o Zé Pereira ficar?

terça-feira, 29 de março de 2011

Superman ficou fraco... e não aguentou a mulher maravilha???
"Superman ficou fraco, 
O Pinguim jogou criptonita..."


Peraí... Pinguim não é do Batman???


Deixa quieto senão vou ficar pirada, tentando achar lógica nas músicas de pagode, Ultra-mega-super-hiper-legais que a gente tem que suportar...

 

Cala a boca, Mulher Maravilha!

Ói, rapaz, o sinhô é o homi de aço, mas cuidado com a Lei Maria da Penha, doido...


http://conversasdosertao.blogspot.com


TRANCA RUA - Amazan

Eu ainda era menino
A premera vez que vi
O cabocão lazarino
E nunca mais esqueci
Seu nome era tranca rua
Pois quando a vontade sua
Era fechar a cidade
Dava ordem pra trancar
Mercado, bodega, bar
E até a casa do padre


Quatro, cinco, seis soldado

Para ele era perdido
Uns ficava istrupiado
Outros ficava estendido
De modos que a cidade
Não tinha tranqüilidade
No dia que ele bebia
Pois quando se embriagava
Dava a gota bagunçava
E prendê-lo ninguém podia



Tranca rua era um caboco

De dois metros de artura
Os braço era aqueles tôco
As pernas dessa grossura
Não tinha medo de nada
Pois até onça pintada
Ele sozinho caçava
Pegava a bicha com a mão
Depois com um cinturão
Dava-lhe uma pisa e matava



E eu cresci-me escutando

Falar do cabra voraz
O tempo foi se passando
E eu tormei-me rapaz
Mole que só a mulesta
Pois até pra ir uma festa
Eu era discunfiado
Se acaso visse uma briga
Me dava uma fadiga
Eu ficava todo mijado



Quem hoje olha pra mim

Pensa até que eu tô inchado
Mais eu nunca fui assim
Naquele tempo passado
Eu era um cabra mufino
Desses do pescoço fino
Da cabeça chata e feia
No lugar onde eu morava
O povo só me chamava
De caboré de urêia



Por artes do mangangá

Um dia eu me alistei
Num concurso militar
E apois num é que eu passei?
E me tornei um sordado
Mago feio e infadado
Nem cum revóve eu pudia
Porém se o chefe mandasse
Prendê alguém qui errasse
Dava a gota mais eu ia



Um dia de madrugada

Eu estava bem deitado
Quando chegou Zé buchada
Com os óio arregalado
Foi logo chamando a gente
Depois deu parte ao tenente
Relatou o desmantelo
Traça rua ontem brigou
Portanto agora o Senhor
Vai ter que mandar prendê -lo



O tenente olhou pra mim

Eu chega tive um abalo
Disse: - Amanhã bem cedim
Você vá lá intimá-lo
Disse isso e foi se deitar
Eu peguei logo a ficar
Amarelo e mêi cansado
Deu-me uma tremedeira
E eu disse é a derradeira
Viagem desse soldado



No outro dia bem cedo

Eu pus o pé no camim
Ia tremendo de medo
E cunversando sozim
Aqui e acolá parava
Fazia um gesto insaiava
O que diria pra ele
E saí me maldizeno
Nove hora mais ou menos
Eu cheguei na casa dele



Fui chegando com cuidado

A casa estava trancada
Eu fui olhando de lado
Vi ele numa latada
Tava dum bode tratano
Eu fui lá me aprochegano
Pra perto do fariseu
Minha garganta tremia
Eu fui e disse assim: Bom dia!
Ele nem me arrespondeu



E eu peguei conversando

E me aprochegano mais
E ele lá trabaiano
Sem me dá nenhum cartaz
Eu disse: - Bonito dia
Eihm! Seu Toím quem diria
Que esse ano ia chuver
Eita qui bodão criado
É pra vender no mercado
Ou mode o senhor cumê 


Aí ele olhou pra mim
Eu peguei logo a surri
Ele diche bem assim
Qui diabo tu qué aqui?
Aí eu diche não sinhô
É qui eu sou um caçador
Qui moro no pé da serra
Me perdi de madrugada
Não achei mais a estrada
E saí nas suas terra


Aí ele me interrogou

Então cadê seu bisaco?
Eu diche ah! Não sim senhor
Caiu dentro dum buraco
Ele diche sente aí
Qui eu tô terminando aqui
Qui é pra mode conzinhar
E você chegou agora
Portanto só vai imbora
Adispois qui armoçá



Quando nóis tava armonçando

Ele pegou cunversar
E diche: -Faz vinte anos
Qui moro nesse lugar
Sem mulé e sem parente
As vezes tomo aguardente
Faço papel de bandido
Eu sei qui é covardia
Mas quando é no outro dia
Eu to munto arrependido



Então eu disse é agora

Qui faço a minha defesa
Peguei a fera na hora
Dum momento de fraqueza
Aí disse: - Realmente
O sinhor é diferente
Quando istá imbriagado
Mais dexe isso pra lá
Qui a vida vive a passar
E o qui passou ta passado



Viu seu Antoim tem mais uma

Eu nunca fui caçador
Tombem istô cum vergonha
De tê mentido ao sinhô
Eu sou um pobre sordado
Qui as orde do delegado
Meu devê é dispachar
Porém prefiro morrer
Do que dizer a você
Qui vim aqui lhe intimar



Se o delegado achar ruim

Pode tirar minha farda
Mais intimar seu Toím
Deus me livre intimo nada
Nisso Ontoim se levantou
Bebeu água se sentou
Dispois pegou preguntar
Quer dizer qui o sordado
Pur orde do delegado
Veio aqui mi intimar



Eu fui falar mais não deu

Peguei logo a gagejar
Nisso Ontoim oiou pra eu
Disse: -Pode se acalmar
Resolvi ir com você
Pra cunversar e saber
O qui quer o delegado
Pois se eu não for camarada
Vão tirar a sua farda
E eu vou me sentir curpado



E vamo logo si imbora

Enquanto eu tô cum vontade
Mais ou menos quatro hora
Fumo entrando na cidade
De longe eu vi o tenente
Assentado num batente
Cum uns cabra a cunversar
Qui quando viu nóis gritou:
-Valei-me nosso Senhor
Ispie só quem vem lá



Eu só tou acreditando

Porque meus óio estão vendo
Tranca rua vem chegando
Caboré vem lhe trazendo
O cabra é macho demais
Nisso eu fui e passei pra trás
Que é pra chamar atenção
E só pra me amostrar
Eu resolvi impurrar
Tranca rua cum a mão



Esse nêgo camarada

Ficou meio enfurecido
Deu-me uma chapuletada
Por cima do pé do uvido
Qui eu saí feito um pião
Rodano sem direção
Pru cima de pedra e pau
Graças a Virge Maria
Só acordei no outro dia
Na cama dum hospital



Não sei o qui se passou

Dispois qui eu dismaiei
Por que ninguém me contou
E eu tombem não perguntei
Eu só sei qui o delegado
Até hoje é aleijado
E qui esse uvido meu
Nunca mais iscutou nada
Adispois da bordoada
Qui Tranca rua me deu.!

O poder que a vírgula tem!


Vírgula pode ser uma pausa... ou não:
Não, espere.
Não espere...

Ela pode sumir com o seu dinheiro:
23,4.
2,34.

Pode criar heróis:
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

Ela pode ser a solução:
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião:
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

A vírgula pode condenar ou salvar:
Não tenha clemência!
Não,tenha clemência!

Quem tem mais valor, o homem ou a mulher?
Se o homem soubesse o valor que tem a mulher andaria de quatro à sua procura.

* Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER...
* Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM...